Modelos pedem em carta que Victoria’s Secret proteja angels contra abusos


Victoria’s Secret Fashion Show (Foto: Getty Images)

 

A Victoria’s Secret vem enfrentando diversas crises, econômicas, críticas sobre representatividade, possível cancelamento do desfile deste ano e até mesmo o diretor de marketing da grife, Ed Razek, deixou o cargo. Na terça-feira (6) mais de 100 modelos e o movimento Time’s Up assinaram uma carta aberta ao CEO John Mehas pedindo à marca que proteja suas modelos, conhecidas como angels, de episódios de “assédio, estupro e tráfico sexual”.

leia também
Diretor de marketing do Victoria’s Secret Fashion Show renuncia ao cargo

Lais Ribeiro revela ter sido assediada por fotógrafo no Caribe

Modelo transgênero Valentina Sampaio já sonhava em ser angel: “Quebra de barreiras”

A organização Model Alliance, que advoga pelos direitos das profissionais do ramo, publicou a carta na íntegra (leia abaixo) em suas redes sociais. “Estamos escrevendo hoje para expressar nossa preocupação com a segurança e o bem-estar dos modelos e jovens mulheres que aspiram a modelos para a Victoria’s Secret”, começa o texto. “Embora essas alegações possam não ter sido direcionadas diretamente à Victoria’s Secret, é evidente que a sua empresa tem um papel crucial na solução da situação”.

A carta cita denúncias recentes contra fotógrafos, empresários e produtores que trabalham para a grife e que teriam abusado sexualmente de modelos, contratadas pela empresa ou não. “É profundamente perturbador que esses homens parecem ter alavancado suas relações de trabalho com a Victoria’s Secret para atrair e abusar de garotas vulneráveis”, critica.

Entre as modelos de maior destaque que assinaram a carta estão Christy Turlington, Doutzen Kroes, Iskra Lawrence e Edie Campbell.

Ed Razek (Foto: Getty Images)

 

 

Em entrevista à Elle norte-americana, a Victoria’s Secret disse que está “sempre preocupados com o bem-estar de nossos modelos” e que pretende “continuar a dialogar com a Model Alliance para alcançar um progresso significativo na indústria”.

Nas redes sociais, algumas angels saíram em defesa da grife. A brasileira Lais Ribeiro classificou as acusações como “injustas” e disse que a Victoria’s Secret é “a marca mais respeitosa com a qual eu já trabalhei”. “Quando contei a eles meu episódio com David [Bellemore, fotógrafo], ele foi demitido no dia seguinte”, relatou. A top portuguesa Sara Sampaio alertou que os principais crimes sexuais contra aspirantes a modelos acontece bem antes do ensaio fotográfico, ainda nas agências que recrutam meninas.

Leia a carta na íntegra:

Caro Sr. Mehas

Estamos escrevendo hoje para expressar nossa preocupação com a segurança e o bem-estar do modelos e jovens mulheres que aspiram a modelos para a Victoria’s Secret. Nas últimas semanas, ouvimos inúmeras denúncias de agressão sexual, estupro e tráfico sexual de modelos e aspirantes a modelos. Embora essas alegações possam não ter sido dirigidas diretamente à Victoria’s Secret, é claro que a sua empresa tem um papel crucial a desempenhar na correção da situação. Das manchetes sobre Jeffrey Epstein, amigo íntimo de Leslie Wexner, CEO do L Brands, às alegações de má conduta sexual dos fotógrafos Timur Emek, David Bellemere e Greg Kadel, é profundamente perturbador que esses homens pareçam ter alavancado suas relações de trabalho com a Victoria’s Secret para atrair e abusar de garotas vulneráveis.

Essas histórias são angustiantes e atingem muitas de nós, que enfrentamos esses tipos de abusos e que são frequentemente tolerados em nossa indústria. Nós estamos ao lado das mulheres corajosas que se apresentaram e compartilharam suas histórias apesar dos medos de retaliação ou dano às suas carreiras. Continuar ouvindo essas histórias quebra nossos corações. Nós podemos e devemos fazer melhor. É hora de RESPEITAR.

O Programa RESPECT – um programa da Model Alliance – é o único programa de assédio sexual anormal projetado por e para modelos. As empresas signatárias comprometem-se obrigatoriamente a exigir que seus funcionários, agentes, fornecedores, fotógrafos e outros contratados sigam um código de conduta que proteja a segurança de todos no trabalho e reduza a vulnerabilidade dos modelos a maus tratos. Os modelos têm acesso a um mecanismo de reclamação confidencial e independente, com resolução rápida e justa de reclamações e consequências apropriadas para os usuários abusivos. Além disso, o RESPECT inclui um programa de treinamento robusto voltado para a prevenção, para garantir que todos entendam seus direitos e responsabilidades.

Estamos pedindo à Victoria’s Secret que tome medidas significativas para proteger seus talentos e aqueles que desejam trabalhar com a empresa. A Victoria’s Secret tem a oportunidade de ser uma líder, de usar seu poder e influência para trazer as mudanças que são urgentemente necessárias em nosso setor. Todos os dias, marcas de moda, editoras e agências definem as normas do que é aceitável e do que não está na moda. Se a Victoria’s Secret fosse tomar uma posição contra esses abusos e se comprometer com mudanças significativas ao aderir ao Programa RESPECT, isso ajudaria muito a nossa indústria a traçar um novo caminho a seguir.

Victoria’s Secret, a mudança pode começar com você. Juntos, podemos levar a indústria a RESPEITAR. Junte-se a nós.

 

 

Diagnosticada com câncer, Toni Pressley agradece apoio: “Voltarei em breve”


Toni Pressley é diagnosticada com câncer de mama (Foto: Getty Images)

 

Toni Pressley, de 29 anos e namorada de Marta, foi diagnosticada com câncer de mama. A jogadora de futebol, que defende o time americano Orlando Pride, passou por um procedimento cirúrgico na última sexta (02), no hospital Orlando Health, da Flórida, nos Estados Unidos.

 
saiba mais

Toni Pressley é diagnosticada com câncer de mama

Como surgiu o futebol feminino no Brasil?

Marta supera Pelé e se torna a maior goleadora da história da seleção brasileira

 

Em seu perfil no Twitter, a atleta agradeceu o apoio dos amigos e fãs. “Obrigado a todos por seus bons desejos. Eu me sinto incrivelmente sortuda por ter o apoio do meu clube, companheiros de equipe e meus entes queridos. Eu voltarei em breve”, escreveu Toni.

A atleta ainda pediu que não tenham pena dela. “Tudo acontece por um motivo e tenho sorte de descobrir isso. Se eu puder ajudar pelo menos uma mulher, tudo valerá a pena”.

“Sinto gratidão e estou impressionada com o amor e o apoio da minha família e comunidade de futebol. Muito obrigado”, concluiu.

Diagnosticada com câncer, Toni Pressley agradece apoio: “Voltarei em breve” (Foto: Reprodução/ Twitter)

 

Marta usou as redes sociais para demonstrar apoio à namorada. “Você é guerreira e irá voltar mais forte do que nunca”, escreveu em uma publicação do Instagram, que rapidamente foi comentada por Toni: “Te amo demais”.

A zagueira chegou ao Orlando Pride há três anos emprestada pelo Canberra United, da Austrália. Ela namora Marta desde o final de 2018.

Tony Presley e Marta (Foto: Reprodução/)

Toni Pressley é diagnosticada com câncer de mama (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Grávida de gêmeos, ultramaratonista dá dicas para não deixar o esporte de lado na gravidez


Mih Cezar (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Sempre correndo pelo Brasil e mundo afora, Michele Cezar, conhecida no esporte como Mih Cezar, se prepara para seu maior desafio: dar luz aos gemêos Gael e Dom, previstos para nascerem em final de dezembro, quase janeiro. 

saiba mais

Atleta conta como é ser saltadora de penhascos: “Fico com medo todas as vezes”

Serena Williams lidera lista de atletas mais fashionistas

Joanna Maranhão fala sobre a reta final da gravidez

 

Grávida de cinco meses, a atleta não parou com as atividades físicas. Se antes participava de ultramaratonas de montanha em 100 Km, agora está focada em atividades, digamos, mais “gente como a gente”. 

“Como educadora física sabia que teria que pisar no freio. Os treinos fortes não existem mais. Agora é passeio no parque com dois bebês. Por dois meses, eu só caminhei e depois voltei a correr intervalado, revezando entre corrida e caminhada. Agora, já estou correndo o mais “normal” possível e posso afirmar que os bebês vão por fogo no parquinho”, disse em entrevista à Marie Claire. 

Em sua rotina, a futura mamãe intercala consultas médicas com as seguintes atividades: revezamento, corre intervalado duas vezes na semana e direto (de cerca de 5 a 7 Km) duas vezes por semana, natação duas vezes por semana, pilates também duas vezes na semana focado no alongamento, bike de maneira leve também duas vezes por semana, fechando com um dia para o ioga. 

Mih Cezar (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Com patrocínio da Mizuno, a atleta ainda não conseguiu liberação para fazer musculação. “Nos primeiros dois meses, eu só caminhava de maneira leve, depois consegui fazer caminhadas em um ritno normal e correr, sem deixar a frequência cardíaca passar de 80% da FCMáx, o que foi tranquilo devido ao meu condicionamento físico antes de engravidar. Só não fui liberada para a musculação. Por serem dois bebês, o aporte de oxigênio poderia ficar comprometido. Nos exercícios de força, o oxigênio prioriza a musculatura, então, não treino musculação. Lembrando que cada caso é um caso e o que a médica me proibiu pode ser liberado para outras gestantes, nada é regra”. 

Casada há cinco anos com a também atleta Gabriela Pupo, optou por tratamento de fertilização em vitro, realizada em uma clínica no Brasil com doador escolhido no exterior. “Planejamos por dois anos. Escolhemos um doador internacional porque lá eles realizam um exame genético mais completo. Por exemplo, realizam o teste completo com a família do doador do banco. Procuramos um que tivesse o mesmo estilo de vida que a gente, que gostasse de esportes e não tivesse vícios”.

Mih Cezar (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Ela, que engordou dez quilos até o momento, não pretende dar uma pausa após o nascimento das crianças. “Brinco que se eles nascerem em dezembro, no último dia do ano já vou correr a São Silvestre”. 

Betto Marque lembra trauma pós morte do avô na infância: “Achava viver um saco”


Betto Marque (Foto: Duio Botta)

 

Betto Marque é um cara alegre, sorridente e que tem feito sucesso como o entregador de bolos Tonho de A Dona do Pedaço. Quando era criança, era muito arteiro, fazia bagunça, inventava muita mentira e dava muita dor de cabeça para sua mãe como qualquer criança. Mas foi aos seis anos que ele experimentou a pior dor de sua vida que lhe roubou a vontade de viver.

Leia mais

Leticia Colin revela luta contra depressão e diz ter casamento feminista

Juju Salimeni sobre depressão: “Tem dias que não sinto vontade de conversar”

 

“Minha mãe diz que eu inventava muitas histórias na escola e as professoras sempre ficavam preocupadas. Aos 6 anos, meu avô faleceu e foi a maior dor da minha vida. Fiquei gordinho e achava viver um saco. Aos 15, quando estudei no Colégio Pedro Segundo, eu pude voltar a ser o Soró, apelido que o meu avô me deu em homenagem a um personagem da novela Pão Pão, Beijo Beijo (1983), do Walter Negrão, e a autoestima voltou junto”, lembra com carinho.

Sua paixão pelas novelas começou ainda na infância quando adorava brincar de interpretar os personagens da TV junto com o avô. Ele conta que, na sala de casa, criava as mais malucas histórias.

“Você pode imaginar uma criança de seis anos inventando personagens? Minha mãe nunca me conta que histórias são essas, mas faz uma cara… Isso só trazia inconvenientes para ela. Eu lembro de ter me perdido em uma antiga loja de conveniências do Rio de Janeir por entrar numa barraca e achar que estava na floresta amazônica”, se diverte.

Hoje, dentro da televisão, ele interpreta um personagem que tem um lado positivo e intuitivo, sempre disposto a ajudar o próximo e que mostra toda sua sensualidade em cenas quentes com Deborah Evelyn. Outra grande parceira de cena de Betto é Juliana Paes, a dona da confeitaria que Tonho trabalha.

“Eu sempre respeitei muito a Juliana pela qualidade dela como atriz. Estar com ela no set é um aprendizado diário de profissionalismo, dedicação e humildade. É lindo ver ela exercer seu ofício! Ela parece nunca cansar, apesar de gravar por muitas horas por dia! Ela empresta para a Maria da Paz uma força dessa brasileira vencedora, mulher empoderada, um chamado para que todas as mulheres assumam seu poder”, analisa.

Betto Marque (Foto: Oseias Barbosa)

 

Na novela, ele também já exibiu em algumas cenas quentes seu físico bem sarado, resultado de seus treinos funcionais. Ele explica que seu corpo está a serviço do trabalho, acredita que ainda possa melhorar mais e elege qual parte mais lhe agrada:

“Gosto do meu peitoral. Não me acho bonito, eu já tive muitos problemas com minha imagem, pois eu era gordinho na adolescência, era muito zoado e rejeitado nessa época. Foi quando eu entrei no teatro com 15 anos que minha autoestima aumentou.”

Por falar em teatro, Betto já interpretou diversos personagens em musicais e interpretou o garimpeiro Tainha em O Outro Lado do Paraíso (2017). O ator analisa que a televisão lhe proporciona um retorno mais imediato de um público maior, mas confessa que tem um amor incondicional pelos palcos.

“O teatro é uma arte ritualística, na minha visão. Lá as pessoas (tanto atores quanto o público) têm a oportunidade de exercitar a presença. Por isso, para mim, o palco é revolucionário! Para fazer teatro, para assistir ou pisar no palco, é preciso estar vivo, presente, portanto é uma arte imprescindível. Infelizmente o teatro carece de mais investimento e as políticas públicas não facilitam. Mas eu resisto, o palco é meu lugar sagrado. Logo logo ele me chama e terei que caminhar em sua ribalta sagrada. E ficarei muito feliz com isso”, comemora.

Na vida pessoal, ele conta que está solteiríssimo e espera alguém com brilho nos olhos, que goste de arte, cinema e música para lhe conquistar. Enquanto isso, recebe mensagens de fãs homens e mulheres em suas redes sociais com propostas bem ousadas.

“Elas são as mais atiradas. Pelo Instagram eu recebo uma grande quantidade de mensagens por dia, como por exemplo: ‘um bolo desses não tem como dizer não, abandono a dieta e largo tudo por você’”, se diverte.

Betto Marque (Foto: Duio Botta)

 

Nubia Olliver fala sobre os dois abortos que fez: “Não me arrependo”


Nubia Oliiver (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Nubia Oliiver passou por momentos intensos em sua vida que, muitas vezes, prefere guardar em uma caixinha, mas aceitou compartilhar um pouco de sua história com a Marie Claire. A modelo conta que já realizou dois abortos, o primeiro em 1991 e outro, mais recente, em 2005, pouco antes de sua única filha, Anne Abate, de 15 anos nascer.

Leia mais

Nubia Oliiver fala sobre a podolatria: “Pedem fotos dos meus pés sujos”

Eu, Leitora: “Fui estuprada, me negaram um aborto e quis me matar”

 

“Não me arrependo de nenhum deles. Não tinha condições financeiras e nem psicológicas para colocar um filho no mundo. Sabemos que o aborto é um problema de saúde pública no nosso país. O direito fundamental deveria ser da mulher. Acredito que a mulher tem o direito de decidir, a sociedade respeita, o Estado garante e cuida e ninguém deve se meter”, pontua.

Pouco antes do segundo procedimento, em 2004, ela foi diagnosticada com depressão e síndrome do pânico, depois de um acidente que sofreu. A partir daí, ela descobriu que tem pré-disposição genética para desenvolver a doença.

“Minha carreira começou muito rápida em 1993 e eu não estava preparada. No ano seguinte, tive um acidente de moto, não me machuquei gravemente, porém isso desencadeou a síndrome do pânico e de lá para cá vieram algumas crises. A depressão também veio logo em seguida, mas não teve um fato ocasional, foi uma soma de fatores. Descobri que também está no meu DNA porque algumas pessoas da minha família têm a mesma doença. Estou bem hoje, sou acompanhada pelos meus médicos, psiquiatras e faço uso dos medicamentos conforme prescrição deles”, explica.

Nubia Oliiver e a filha, Anne, de 15 anos (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Pessoas que sofrem deste mal têm de ficar com os olhos bem atentos aos sintomas de recaídas. Ela conta que passou por isso quando perdeu o então namorado, Paulo Santana, morreu, em 2016, vítima de uma insuficiência renal.

“Claro que tive sim uma recaída devido ao que aconteceu! Me lembro também que no começo da adolescência, passei por uma tentativa de suicídio quando eu tinha 13 anos”, revela.

Hoje em dia, aos 45 anos, a modelo se vê muito feliz e realizada profissionalmente e, por isso, prefere viver a vida sem neuras principalmente com relação ao seu corpo.

“Não me comparo a ninguém e isso faz com que eu não faça loucuras com ele. Gosto de comer, beber e uso a lei da compensação: ‘exagerou um dia, fica dois de castigo’. Malho o necessário para manter o corpo saudável e harmônico. Minha autoestima é muito bem resolvida, me aceito e me amo”, declara.

Outro motivo que a deixa com a mente muito tranquila é a vida em sua fazenda, em Uberaba, no interior de Minas Gerais, onde ela relaxa ao lado de sua criação de cabeças de gado.

“Amo fazenda, amo terra e tudo que ela nos dá. Adoro criar gado, cavalos, bichos e sou muito ligada nos agronegócios. O contato com a natureza é vida, um renascimento para mim. Tenho uma fazenda, mas a estrutura é pequena ainda. Temos gado de corte, cria, recria, engorda e gado leiteiro. Isso é investimento. Cavalos é prazer”, detalha.

Alongamento de cílios: investigamos os prós e contras do procedimento


Alongamento de cílios: os prós e contras (Foto: Getty)

 

Muitos dizem que o alongamento de cílios prejudicam os fios naturais. É um mito que ronda o universo de beleza há muito tempo, mas será que há alguma porcentagem de verdade nisso? A repórter da Marie Claire norte-americana Maya Allen usou extensões por seis meses ininterruptos e promete que não houve prejuízo para os cílios.

Há muitos aspectos a serem considerados em se tratando de alongamento de cílios. Eles estão perto dos olhos, afinal. Faça perguntas, pesquise, escolha um lugar limpo e conhecido, e deixe nas mãos de um especialista treinado. Para te ajudar a entender se o alongamento de cílios é a escolha certa para você, Allen conversou com Andra Marin, diretora artística da boutique de cílios Courtney Akai, de Nova York, e com o oftalmologista Alberto Distefano, da Escola de Medicina da Universidade de Boston. Juntos, eles explicaram tudo o que você precisa saber sobre alongamento de cílios.

O checklist do alongamento de cílios

A primeira e coisa mais importante é determinar se você é uma boa candidata para o alongamento de cílios. Segundo Marin, as perguntas cruciais são:

Eu costumo dormir com o rosto voltado para baixo?
Eu mexo nos olhos com frequência?
Eu tenho tendência a puxar os cílios?
Eu tive alguma infecção no olho que me tornaria sensível à extensão?
Fiz algum procedimento nos olhos recentemente?

Há também perguntas para o especialista escolhido:

Qual o processo de esterilização das ferramentas utilizadas?
Quais são os requisitos em termos de qualificação para os profissionais do estúdio?

Dificuldades para responder as perguntas acima são indícios de inadequação, segundo Marin. Pode haver prejuízo devido à aplicação, infecções por pinças não esterilizadas, e reações alérgicas a colas abrasivas. “Os produtos usados na região dos olhos devem ser de boa qualidade e não podem criar desconforto durante a aplicação. Minimizar irritações, prevenir infecções e reações alérgicas são coisas pelas quais profissionais sérios prezam. Lavar as mãos, limpar tudo e usar escovas e pinças esterilizados é imprescindível. É realmente uma questão moral.”

Uma prioridade deve ser checar a saúde dos seus olhos. “Tenha certeza de que estão livres de infecções”, explica Marin. “Tenha o aval do seu médico antes de fazer alongamento de cílios se você fez alguma cirurgia ou procedimento na região.”

Material e origem dos cílios importam – e muito

“Anos atrás, os cílios naturais eram considerados superiores. Hoje em dia, a diferença entre os naturais e os sintéticos é quase imperceptível”, avalia Marin. As opções sintéticas são hipoalergênicas e, se você for alérgica a pelo animal, pode ter reações aos cílios naturais. De onde elas vêm também é importante: “Eu uso e recomendo produtos feitos nos Estados Unidos, onde há adesivos de qualidade médica à disposição, que são muito bem tolerados pelas pessoas, porque raramente causam irritações.”

Extensões longas e volumosas podem fazer mal

É sempre indicado consultar um especialista para determinar que tipo de cílios combinam com o comprimento dos seus fios naturais. “Usar cílios longos ou volumosos demais pode fazer mal a longo prazo; eles pesam mais do que cílios mais curtos e podem fazer mal ao folículo, alerta Marin. “Isso pode fazer seus cílios naturais caírem prematuramente, o que traz danos permanentes. Fique com um alongamento cujo comprimento seja até 2 milímetros maior que seus cílios naturais e de diâmetro igual. A curvatura e formato podem, claro, ser escolhidos de acordo com sua preferência.”

Saúde em primeiro lugar

O oftalmologista Alberto Distefano frisa a importância de escolher um profissional que te deixe à vontade e de garantir que o equipamento esteja seguro. Apesar de o alongamento de cílios oferecer poucos riscos, eles ainda existem. “Cílios postiços podem aumentar o risco de infecções nas pálpebras e olhos”, diz ele. “Pode haver bactérias na cola e nos próprios cílios quando estes forem usados por um extenso período. Com a extensão, é mais difícil limpar em volta dos olhos, o que permite às bactérias se desenvolverem.” Isso pode parecer assustador, mas fique tranquila: basta consultar um oftalmologista. “Isso pode ser tratado com antibióticos de uso tópico, oral ou intravenoso. Se tratado, o risco à visão é baixo, mas pode crescer se o tratamento for delegado.” Também há uma chance de ter uma reação alérgica à cola ou aos cílios. “Faça um teste para reação alérgica aplicando uma pequena quantiade de cola no seu pulso. Uma reação alérgica aparece com vermelhidão, inchaço e coceira”, recomenda o especialista. 

Como cuidar de seu alongamento de cílios

Faça
Escovar diariamente e cuidar gentilmente de sseu alongamento. Ele é aplicado sobre seu próprios cílios, então seja cuidadosa.
Limpar sua extensão de cílios regularmente com um cleanser sem óleo. Ou lavar com uma fórmula própria.
Secar com um papel toalha ou toalha macia depois do banho ou de entrar na água.

Não faça
Esfregar seus olhos com frequência. Evite friccionar, encostar e puxar seu alongamento de cílios.
Aplicar produtos com óleo nos cílios.
Usar produtos de maquiagem à prova d’água ou de longa duração.
Usar curvex ou produtos aquecidos.

Infelizmente, não há nada que se possa fazer para evitar: seu alongamento de cílios vai cair

Caso você esteja se perguntando se há algum produto mágico para preservar o alongamento com o qual você gastou seu suado dinheirinho, não há, infelizmente. “Nada vai realmente fazer as extensões durarem mais do que o ciclo natural delas”, confirma Marin. “Cílios naturais crescem e caem em ciclos, assim como cabelo, que geralmente duram entre 60 e 90 dias, a depender de aspectos individuais, então não há produtos ou técnicas que possam modificar isso. Cada um perde, normalmente, entre um e cinco cílios todos os dias.”

Tenha cuidado: não há regulamentação específica

“Não é comum que seja requisitado algum certificado para aplicar cílios. Enquanto muitos recebem treinamento adequado de estúdios de cílios, outros são mal treinados por profissionais não certificados ou, pior, aprendem assistindo a vídeos do YouTube”, explica Marin. “Ainda há uma necessidade de boa educação nessa indústria relativamente jovem, e uma necessidade de mais informações para profissionais, bem como para clientes de extensões de cílios.”

A androginia que me completa


Danielle Torres: a executiva e escritora trata da androginia em sua nova coluna (Foto: arquivo pessoal)

 

Por vezes encontro-me admirando fotos de alguns dos meus ídolos da música dos anos oitenta. Eu era ainda criança nesta época e a maior parte deles somente pude acompanhar já na minha adolescência.

Leia também
Danielle Torres: “Afinal, ele ou ela?”

Algo que admiro em algumas dessas fotos é a androginia que elas carregam. Confesso que em um primeiro pensamento – simplista, claro – tenho a sensação que, ao menos no universo da música, a expressão da moda era mais livre.
Infelizmente, essa realidade não encontrava paralelo no meu entorno à época. Bastava eu usar um lápis preto no olho ou algum símbolo lido como “feminino” para ser motivo de chacota.
Nem mais consigo me lembrar das inúmeras vezes que fui também questionada, ao longo da adolescência, quanto aos motivos que me levavam a manter os meus cabelos compridos. Sim, eu por vezes era identificada como menina. Aquilo era para mim uma sensação libertadora. Mas o meu entorno não tardava a me repreender: “você precisa cortar esses cabelos”.

Ao acolher na vida adulta o meu feminino inerente, um dos primeiros diálogos que precisei colocar em dia era qual seria a minha aparência

Pois, então, ao acolher na vida adulta o meu feminino inerente, um dos primeiros diálogos que precisei colocar em dia era qual seria a minha aparência. A cobrança do meu entorno social, a partir do momento que me afirmei ser mulher, era: “pareça uma”.
Não obstante as inúmeras pressões que sofri, mantive a minha essência. Sou feminina, sim, e permaneci andrógina. A realidade é que hoje em dia muitas vezes passo no meu cotidiano sem sequer ser notada como pessoa trans, e outras vezes nem tanto. Qual é o problema de eu expressar esta ambiguidade?
Não precisei ser ensinada a expressar-me da forma que sou. É claro que com o tempo amadureci e encontrei o meu estilo e voz, mas tudo isso partiu de um ponto claro: tão e somente quero ser eu. Pode parecer óbvio, mas não foi-me imediata a compreensão deste fato.
Eu admiro a androginia que expresso. Sou encantada pela possibilidade de significar-me em um limiar que não é necessariamente rígido. Ser andrógina não muda ou afeta a minha identidade como mulher, apenas acentua o meu sentimento de que todas nós temos o direito de nos sentirmos plenas e livres.

FALAS

Qual das
falas
recrimina
a liberta ou
a contida?

Enquanto
contida
era
clamava
pela voz
de um macho
inexistente

depois de
resoluta e
a mostra,
retrai a fêmea
e exige
novamente
o macho

Perceba,
não consigo
nada além
do que faço

e se cessar
de abrir
as cortinas
deste palco
verá que
é tudo
parte
do mesmo
acaso

Portanto
deixemos
de lado
linhas
solitárias
e vamos aos
fatos:

sua sorte
é caber
sem adoecer
a minha
é lutar
para nunca adoecer

Uma é fato
caminho,
a outra é fardo
incerto.

– Victoria Novisck

Onda Verde: sete mulheres que há um ano entraram em marcha pelo aborto legal na Argentina


Há exatamente um ano, no dia 8 de agosto de 2018, centenas de milhares de meninas e mulheres se reuniram para pedir aos legisladores e legisladoras da Argentina que garantissem acesso legal e seguro ao aborto no país. Essas mulheres fizeram parte de uma enorme e poderosa campanha: #AbortoLegalYa. Elas vieram de diferentes movimentos e organizações, incluindo a Anistia Internacional Argentina, e se uniram para pedir mudança.

Na madrugada do dia seguinte, após um dia todo de votação, o Senado argentino rejeitou o projeto de lei que legalizaria o aborto no país. Agora, sete mulheres que faziam parte do movimento inspirador conhecido como “a onda verde” – cor que se tornou sinônimo da campanha por aborto legal e seguro na Argentina – revelam por que elas não estão nem perto de parar de se posicionar. Leia seus depoimentos!

“Nós éramos uma linda corrente verde que continuará avançando” – Noelia Garone, 31, defensora dos direitos humanos e advogada

“Houve empolgação no ar na marcha histórica antes da votação sobre o aborto no Senado no dia 8 de agosto de 2018. Embora o resultado não fosse o que milhares de mulheres estavam esperando, a verdade é que foi um belo dia de verdadeira conexão. Mesmo as últimas lágrimas que choramos não foram tão tristes, porque havia a sensação de que éramos uma linda corrente verde, que continuará avançando e que conseguirá fazer com que o aborto seja legalizado. Vai acontecer, você só precisa da corrente verde ao seu lado”.

“Nunca pare de questionar a sociedade ou de pedir mudanças” – Justina de Pierris, 15, estudante

“Durante o debate sobre a legalização do aborto, aprendi que as batalhas não são apenas vencidas marchando nas ruas, mas conversando-se com familiares, amigos e colegas de classe. Você nem sempre vai encontrar pessoas que concordam com você. No dia 8 de agosto de 2018 – dia em que o debate aconteceu no Senado da Argentina – fui às manifestações do lado de fora do Congresso Nacional. Foi incrível estar cercada por tantas pessoas lutando pela mesma causa. Se você quiser melhorar sua qualidade de vida e a qualidade de vida de todas as mulheres, nunca pare de questionar a sociedade ou de pedir mudanças.”

“Isso marca um ponto de virada” – Mariana Romero, 54, médica, defensora dos direitos das mulheres e pesquisadora do Centro para o Estudo do Estado e da Sociedade, em tradução livre

“Eu fui aos protestos com meu filho, em parte para que ele pudesse começar a ver porque eu faço o que faço. Havia outras mulheres lá com seus filhos também. Apesar de os protestos terem sido por causa de uma situação terrível, nós nos unimos e ficamos felizes em nos ver novamente, e nos encontrarmos ali. O debate sobre a legalização do aborto na Argentina marca um ponto de virada. Nós não desamarramos nossas bandanas verdes de nossas mochilas ou nossas bolsas porque não acreditamos que essa luta seja de curta duração.”

“A bandana verde é um símbolo” – Paula Maffía, 35, cantora

“Não foi uma derrota. A lei não passou, mas nós lutamos e haverá outras oportunidades. Enquanto isso, a bandana verde se espalhou e se tornou um símbolo, um novo distintivo. A demanda pela legalização do aborto é inescapável – não há como voltar atrás. Eu quero aprender com as gerações mais novas porque acho que é crucial que finalmente comecemos a ouvir os jovens.”

“Todo mundo é bem-vindo e bem-vinda para se juntar ao movimento feminista” – Sofía Novillo Funes, 32, assistente de projetos para jovens da Anistia Internacional

“Estar organizadas é o que nos salva. O feminismo é a melhor coisa que já aconteceu comigo. Permitiu-me ver que essa democracia em que vivemos não pode ser uma democracia se não estivermos representadas, se nossas vozes não puderem ser ouvidas por não temos nenhuma posição de poder. O debate sobre a legalização do aborto fez com que os assuntos ligados ao feminismo se tornassem mais comuns, algo sobre o qual você encontraria homens conversando em um café, por exemplo, e que, para mim, era algo que nunca tinha acontecido antes. Todas e todos são bem-vindos e bem-vindas para se juntar ao movimento feminista.”

“O progresso que fizemos não pode ser desfeito” – Florencia Marolakis, 20, estudante e integrante do grupo de jovens da Anistia Internacional Argentina

“Eu tenho um irmão mais jovem. Em casa, ele sempre tinha permissão para fazer as coisas antes de mim, mesmo sendo mais velha. Quando eu tinha nove anos, recebi uma nova bicicleta de presente. Eu queria sair e andar sozinha, mas meus pais me disseram: ‘Não, algo pode acontecer com você porque você é uma menina’. Eu não conseguia entender por que eles disseram aquilo. Isso me deixou com raiva, mas, com o tempo, eu percebi que não era culpa deles. Eles realmente estavam com medo. Eu sou definitivamente uma feminista. A consciência do que é o feminismo e por que ele é importante é algo que comecei a ver nas pequenas coisas do dia-a-dia, e isso se tornou mais conhecido nos últimos anos graças ao movimento das mulheres. O progresso que fizemos não pode ser desfeito.”

“Eu nunca vivi nada parecido” – Yaridbell Licón Rodríguez, 26, gerente de mídias sociais e jornalista. Nascida na Venezuela e agora morando na Argentina

“Eu sou da Venezuela e lá ninguém fala sobre aborto; não é algo sobre o qual você pode sentar e conversar. De repente, estou em um país cheio de mulheres incríveis que saem às ruas para se apoiarem e se posicionarem, totalmente unidas. A coisa toda me dá arrepios porque eu acho superemocionante que esse tipo de movimento exista aqui. Eu quero que ele exista no meu país também, e é por isso que estou dizendo tudo isso. Aquele dia para mim foi… eu nunca imaginei que sentiria o que senti naquele momento.”

Na Argentina, assim como em muitos outros países, o aborto é criminalizado, exceto em circunstâncias muito limitadas. Pessoas que engravidam e não podem ou não querem continuar com a gravidez são, muitas vezes, forçadas a tomar uma decisão impossível: colocar suas vidas em risco ou ir para a cadeia.

A Anistia Internacional Brasil tem uma petição aberta para ajudar a pressionar as autoridades argentinas pelo acesso das mulheres ao aborto legal e seguro. Contamos com a sua ajuda!

Como conviver (e aguentar) homens (super) héteros depois dos 40


Boy lixo em definição perfeita da ilustradora Nath Araújo (Foto: Nath Araújo/Reprodução Instagram)

 

Em viagem de trabalho, uma amiga mandou no Whats a seguinte mensagem: “Gente! Vcs não têm ideia do meu grupo!! São uns dez héteros que ficam o tempo todo fazendo piadas infames com voz de Silvio Santos”. “Pesadelo!”, respondemos em coro, solidárias à pobre, submetida a uma semana de sorriso amarelo.

leia também#DeRepentePerennial: Lições que aprendi com Chimamanda Ngozi-Adichie

Trabalhar numa revista feminina, cercada de jovens feministas, faz a gente esquecer que está vivendo numa bolha. E antes que me chamem de “malamada-feminista-abortista”, tenho um relacionamento (heterossexual) há 14 anos. Seguindo um destino certo por linhas tortas, me livrei da paixão por um macho-estereótipo, o que diminuiu ainda mais minha tolerância para o tipo descrito acima pois sei, na prática, que não é “coisa de homem”. É idiotice mesmo. 

Mas, para o bem da convivência em sociedade, sempre fiz “uma social”. Na real, esse tipo de comportamento é tão normatizado que era “tudo bem” escutar certas bobagens vindas do gênero oposto. Isso até os 40. Depois dessa idade, perdi a paciência, porque, francamente, passei quatro décadas tendo de aturar piadinha de bunda, de “viadinho”, “traveco”, “sapata” entre outras pérolas do repertório machista.

Mulheres que, como eu, viveram a adolescência nos anos 1990, sabem como é ter de se adaptar ao “culto aos meninos”

Mulheres que, como eu, foram adolescentes nos anos 1990, viveram o “culto aos meninos”. Em bando, eles eram sempre o centro das atenções, bebendo, gritando bobagens, se atirando do palco nos shows de rock, se empurrando, arrotando… Tudo em nome da testosterona. Nós éramos a plateia, sempre pronta a aplaudi-los. Qualquer comportamento semelhante ao deles, rendia apelidos desagradáveis, brincadeirinhas sexistas e reduzia as chances de “ficar” com qualquer um deles _pelo menos não na frente dos outros_, afinal, quem quer pegar uma menina que parece homem?

leia também#DeRepentePerennial: Homens fora de moda, está na hora de se vestirem melhor

Hoje, acho que esse tipo de comportamento servia para mascarar a insegurança desses rapazes, desde pequenos submetidos e cobrados a performar sua “macheza”, seja para a família, entre si ou para nós, as espectadoras. Além disso, sejamos justas, muitos desses amigos se tornaram caras bacanas (sim, há esperança!), pais que, hoje, ajudam a desconstruir esse modelão ultrapassado. Quando um deles comete um “deslize”, dá até para dar aquele toque amigo (“Querido, não se comporte como um ogro: tá todo mundo olhando”; “Baby, isso é machista, misógino, imagina seu filhinho reproduzindo isso ou sua filha sendo a vítima de tal baixeza?”). Muitos, inclusive, corrigem os parceiros publicamente. Meu marido, por exemplo, já deu sermão por comentário homofóbico e disse a um camarada, que assobiou para uma mulher na rua, que ele estava se comportando como um neandertal. 

Aos que preferem não encarar que fazer piada imitando a voz do Silvio Santos é coisa do século retrasado, sorry, mas, para vocês, tenho zero paciência.

Flúvia Lacerda: “Meu combustível são as mulheres que vivem na pele as dores e perdas causadas pela gordofobia”


Flúvia Lacerda para o Verão 2020 da Arezzo (Foto: Nicole Heiniger)

 

Modelo plus size há 16 anos, Flúvia Lacerda começou agora a se aventurar em outras searas além dos desfiles e campanhas. Aos 39 anos, depois de publicar, em 2017, o livro “Gorda não é palavrão: como ser feliz gostando do seu corpo como ele”, ela está prestes a lançar sua marca de moda praia e acessórios.

E não pense que diversificar a carreira tem a ver com qualquer falha ou desgaste: ela é um marco na moda brasileira e foi, por muitos anos, chamada de “a Gisele Bündchen do plus size”, até que conquistou seu lugar ao sol e passou a ser reconhecida. Fotografada para veículos nacionais e internacionais, Flúvia entrou na carreira por acaso, e é consciente de que teve uma rara oportunidade. “Sei que fui uma das poucas que conseguiu chegar a esse patamar. A verdade é que há pouco mercado para sustentar modelos que exerçam a profissão em tempo integral. Eu estava no lugar certo, na hora certa e com o nível de talento e discernimento suficientes para ascender”, analisa.

O mercado nacional

O exemplo mais recente do sucesso como modelo é que Flúvia estrela, ao lado de outras cinco profissionais brasileiras (Agnes Nunes, Ana Claudia Michels, Débora Nascimento, Thaila Ayala e Samantha Schmutz) a campanha Verão 2020 da Arezzo, fotografada por Nicole Heiniger. De volta ao Brasil depois de morar anos em Nova York, nos Estados Unidos, Flúvia conta que recebeu o convite com surpresa: “Pulei da cadeira, não conseguia acreditar. É um sonho concretizado.”

Flúvia Lacerda para Arezzo, fotografada na Praia Barra de São Miguel (Alagoas) (Foto: Nicole Heiniger)

 

Afinal, ela luta há mais de uma década pela profissionalização do nicho plus size.“Hoje sinto uma imensa felicidade em ver que o quadro mudou drasticamente. O mercado evoluiu muito e, apesar de ainda ter um longo caminho a percorrer até atingir o nível que existe em outros países, vejo que estamos na direção certa”, declara.

Quanto ao caminho que ainda temos de percorrer, a modelo aponta “a falta de profissionalização do setor, que ainda é imensa”, além da “falta de interesse de agências de alto calibre em moldar carreiras de novas meninas, exigir cachês mais justos e, acima de tudo, pagar modelos em janelas de tempo corretas.”

Em consonância com a campanha fotografada para a Arezzo, que põe em foco a força da união feminina, Flúvia conta que, durante seu percurso, “as mulheres ao meu redor que não se viam representadas e que vivem na pele todas as dores e perdas causadas pelas gordofobia foram meu combustível.”

Sobre autoaceitação

Em relação às situações de preconceito que enfrentou – e segue enfrentando – Flúvia é assertiva: “Penso que se há tempo para exercitar o preconceito, há tempo para se educar e sair dele. Não vejo razões para desperdiçar minhas energias e inteligência batendo de frente com pessoas que optam por estacionar na estagnação moral.”

Ela conta, ainda, que não houve um processo para se aceitar. “Sempre fez parte da minha natureza ter essa independência de pensamento, essa forma positiva de lidar com meu corpo e uma rejeição quase que absoluta ao sistema que lucra em cima de nos fazer infelizes. Jamais entendi porque deveria viver em guerra com meu corpo”, afirma. Quanto à propagação de mensagens empoderadoras, Flúvia dá a dica: “Adoraria ter meu próprio programa para falar sobre moda sob um novo ângulo.”